Point do Grafitti celebra 2 anos com programação que reúne oficinas, roda de conversa e batalhas de grafitti
Em 2026, o Point do Graffiti celebra seu 2º aniversário com uma programação especial realizada nos dias 13 e 14 de junho, que conta com batalhas de Bomb e de rima, oficinas, roda de conversa e feira criativa. Mais do que uma comemoração, o evento reafirma o compromisso do projeto com a democratização da arte urbana, a formação de novos artistas e o fortalecimento da cultura hip-hop na Amazônia.
A iniciativa é realizada em parceria com o Centro de Estudo e Defesa do Negro (Cedenpa), que será a sede do evento. A programação também conta com o apoio de Tinta Preta Produções, Tag Studio, Khan Produção e Coletivo Cabanarte.

Histórico do projeto
O Point do Graffiti nasceu da necessidade de criar um espaço dedicado exclusivamente ao graffiti dentro da cultura hip-hop em Belém. A iniciativa surgiu a partir da articulação de artistas da cena local que, por muitos anos, não encontravam um ponto voltado especificamente para essa vertente da cultura urbana.
Com o fortalecimento desse grupo, Kazes, Rapha e PTCK passaram a organizar o projeto, que se consolidou como um importante ponto de encontro para grafiteiros e admiradores. Desde junho de 2024, o Point do Graffiti é realizado mensalmente na Praça Dorothy Stang, reunindo artistas convidados para live paint enquanto a comunidade se encontra para trocar experiências, fortalecer redes e celebrar a cultura de rua.
O projeto é uma iniciativa 100% independente, construída por e para a comunidade urbana. Embora Kazes esteja à frente da organização, o evento é resultado do trabalho coletivo de diversos grafiteiros e colaboradores que acreditam na valorização e no fortalecimento da cena local.
Arte urbana como ferramenta de conexão comunitária
Ao longo de seus dois anos de atuação, o Point do Graffiti tem se consolidado como um espaço de convivência entre diferentes gerações de artistas e de aproximação do público com a cultura urbana. Para os organizadores, um dos principais legados do projeto está na capacidade de reunir veteranos, novos talentos e pessoas que desejam conhecer mais sobre o universo do graffiti.
“O que me marca é ver que o Point do Graffiti é um espaço tanto para a nova quanto para a velha escola do graffiti, mas também para os “curiosos” que querem se aproximar desse meio, conhecer mais e até fazer parte. Cada artista que já participou do live paint (graffiti ao vivo), e já foram mais de 20, tem sua particularidade, sua originalidade. Por isso, sempre há pessoas ao redor que se identificam com cada traço, estilo e forma de expressão. Esse também é um espaço de reencontro. Gente que estava afastada do graffiti acaba retornando, sendo acolhida novamente e voltando às ruas para pintar graças ao Point do Graffiti.”, relata Kazes, integrante do projeto e organizadora do evento.
Nesta edição, a parceria com o Cedenpa reforça o compromisso do projeto com a formação artística e o diálogo com os territórios periféricos. A realização de oficinas e atividades educativas busca ampliar o acesso à arte urbana e fortalecer os vínculos com a comunidade local.
“É uma troca de conhecimento. E desta vez, achamos muito importante fortalecer esse envolvimento com a comunidade por meio da parceria com o CEDENPA, realizando oficinas como forma de agradecimento às ruas e de levar conhecimento através da nossa arte. Estar realizando um evento como esse na periferia de Belém do Pará, no berço de tudo, no lugar onde nasceram tantas expressões da arte urbana e periférica, tem um significado muito forte para nós. Poder alcançar essa comunidade, trocar experiências, incentivar novos artistas e fortalecer quem já faz parte dessa cultura é algo extremamente gratificante”, pontua Kazes.
A organizadora avalia que o crescente interesse do público pelo graffiti demonstra o potencial da arte como ferramenta de transformação social e fortalecimento cultural: “Ver crianças, jovens e adultos se aproximando da arte, se identificando com o graffiti e entendendo que ele também é uma ferramenta de transformação social nos mostra que estamos no caminho certo. Mais do que pintar muros, estamos construindo conexões, fortalecendo a cultura da periferia e valorizando as nossas raízes.”, explica.
Programação de aniversário
A celebração dos dois anos de existência do projeto será realizada em dois dias. Confira a programação abaixo:
Dia 13 de junho
- Oficina de Graffiti
- Oficina de Rima
- Roda de Conversa
Dia 14 de junho
- Mutirão de Graffiti aberto ao público
- Batalha de Bomb
- Batalha de Tag
Sobre a organizadora
Camila Mendonça Furtado, conhecida artisticamente como Kazes, nasceu em Belém do Pará e tem 23 anos. Estudante de Publicidade e Propaganda, atua na área de marketing e desenvolve sua produção artística por meio do graffiti desde 2020.

Entre arte, comunicação e produção cultural, Kazes desenvolve um trabalho que conecta graffiti, identidade amazônica e fortalecimento da cultura urbana. Sua atuação envolve tanto a criação artística quanto a produção, organização e divulgação de iniciativas culturais.
Como mulher grafiteira em um cenário historicamente marcado pela predominância masculina, utiliza sua arte como ferramenta de afirmação, resistência e transformação social. Sua assinatura, Kazes, representa a força de sua escrita e a ocupação consciente dos espaços urbanos por meio da arte.
Seu trabalho busca transformar a cidade em uma galeria aberta e acessível, aproximando pessoas da cultura hip-hop e inspirando novas gerações de artistas, especialmente mulheres, a ocuparem espaços de protagonismo. Assim, contribui para a valorização do graffiti como linguagem artística legítima e para o fortalecimento da cultura urbana amazônica.
Serviço
2 anos de Point do Grafitti
Data: dias 13 e 14 de junho.
Local: Cedenpa – Passagem Paulo VI, 244 – Cremação, Belém.
Entrada gratuita.
Mais informações: @pointdograffiti (instagram)
Texto:
Lírio Moraes (Na Cuia), com informações da organização do evento.
Foto de capa:
Divulgação.