Comunidades tradicionais do Marajó realizam mutirões de reflorestamento
Mais de 2500 mudas serão plantadas em cinco municípios marajoaras em mutirões coordenados pelo Observatório do Marajó
Nos meses de março e abril, comunidades ribeirinhas e quilombolas de Portel, Breves, Melgaço e Oeiras realizarão mutirões para reflorestar áreas em municípios atingidos por queimadas nos últimos anos. Com mais de duas mil e quinhentas mudas de espécies nativas, como açaí, cacau, pracaxi, acapu, entre outras, os mutirões contam com as boas práticas agroecológicas que as comunidades, identificadas e apoiadas pela iniciativa, desenvolvem em seus territórios.
As atividades, planejadas desde o ano passado, acompanha cinco grupos de diferentes comunidades ribeirinhas e quilombolas, que vêm recebendo ao longo dos anos de 2025 e 2026 formações virtuais e presenciais em agroecologia e seus diferentes sistemas incluindo a construção de planos de ação comunitária e o mapeamento e a preparação de áreas para implementação de sistemas agroflorestais. A iniciativa visa fortalecer as boas práticas de conservação e proteção baseadas na natureza, incentivar a ação comunitária, promover a geração de renda das famílias e a segurança alimentar, fortalecendo a soberania territorial no incentivo da gestão das áreas pela própria comunidade.
Os mutirões, que iniciaram pelo município de Portel no último final de semana, contaram com atividades presenciais preparatórias como oficinas, mapeamento afetivo, desenho do mapas de SAFS pela comunidade, intercâmbio de saberes e os plantios feitos pelo Coletivo Guardiões da Floresta, que implementaram 05 áreas com sistemas agroflorestais totalmente baseado em sua relação e conhecimento do território, estando acompanhados pela equipe de desenvolvimento do projeto desde seu planejamento à concepção final dos sistemas que farão parte das futuras agroflorestas das comunidades que compõem o coletivo Guardiões da Floresta.

Ediane Lima, Gestora de Projetos do Observatório do Marajó, compartilha a experiência de plantar junto à comunidade: “Fortalece a coletividade, gera conhecimentos, valores e trocas de saberes essenciais para a construção de um futuro para gerações do presente, considerando que nos safs é possível produzir alimentos a partir do primeiro ano de implantação, um futuro pelo legado das florestas que são construídas e enriquecidas nestes sistemas, contribuindo para que as famílias que compõem o coletivo colham alimentos seguros, construam novas fontes de rendas e contribuam através destas experiências de plantar, para a mitigação dos impactos das mudanças climáticas em seus territórios.”
Ao todo, 50 famílias estarão envolvidas diretamente nas atividades de plantio do projeto, resultando em centenas de pessoas beneficiadas pelos resultados da implementação das práticas nas comunidades.
Finalizado os mutirões em Portel, a equipe da organização seguirá para os próximos municípios a receberem os mutirões, sendo a próxima parada em Breves, onde serão realizadas atividades nos dias 03, 04 e 05 de março em uma comunidade periférica localizada na zona rural.
A importância do fortalecimento de práticas agroecológicas no Marajó diante dos desafios ambientais
Em outubro de 2024, Portel foi apontado como uma das cidades amazônicas que mais queimou, respondendo por 6,1% dos focos de queimadas no Brasil. Quando comparados os focos identificados nos anos de 2023 a 2025 o município registrou no total 4.565 focos, número superior ao segundo município com maior focos, Oeiras do Pará (859), segundo dados do INPE. Já Breves, município vizinho, viveu mais de 20 dias sob a fumaça de queimadas. Esses são alguns dos exemplos de como as queimadas na região afetam drasticamente a natureza e a vida das populações locais, sendo crucial o fortalecimento e incentivo às práticas que colaboram com a recuperação do solo degradado por queimadas.
O Observatório do Marajó, organização que coordena a articulação e mobilização dos grupos em seus territórios para os mutirões de reflorestamento, vêm desde 2020 atuando com comunidades tradicionais para que seus saberes e práticas sejam reconhecidas e vistas como fundamentais para políticas públicas mais eficazes e embasadas pelo conhecimento dessa população na manutenção da floresta em pé, mantendo seus modos de vida seguros e resguardados. Além de iniciativas como as de reflorestamento, já formou cinco brigadas comunitárias de combate à incêndios florestais na região, demonstrando que fortalecer práticas e somar esforços são essenciais para que mais comunidades tenham resiliência diante dos desafios ambientais.
Segundo Valma Teles, Diretora executiva da organização, a agrofloresta que está sendo plantada pelos grupos, será a garantia para as futuras gerações do acesso à biodiversidade, solo e alimentação saudável, e geração de renda diversificada. “Plantamos hoje e promovemos práticas sustentáveis para um futuro melhor, juntos com os grupos estamos fazendo a diferença! Plantando o presente para garantir um futuro mais próspero! Isso foi o que levamos para COP 30 e vemos que dos compromissos firmados pelo Governo Brasileiro, as comunidades fazem na prática. Esse é mais um exemplo para todo mundo ver como as comunidades estão fazendo na prática o que os governos prometeram na COP 30, só que estamos fazendo sem esse apoio do governo. Buscamos sempre apoio para fazer o nosso trabalho mas queremos ver o fortalecimento das práticas agroecológicas das comunidades tradicionais serem destino de investimento de políticas públicas”.
Sobre o Observatório do Marajó
Desde 2020, o Observatório do Marajó trabalha para fortalecer e valorizar práticas tradicionais de comunidades ribeirinhas, quilombolas e extrativistas da região, como caminhos para a justiça climática e socioambiental. Em seus mais de cinco anos de atuação já premiou boas práticas de uso do solo para produção de alimentos e com o apoio do Prevfogo (Ibama), formou cinco brigadas comunitárias de combate à incêndios florestais na região. Saiba mais sobre a organização em: @obsdomarajo nas redes sociais.
Redação: Comunicação do Observatório do Marajó