Militante histórica do movimento negro, Nilma Bentes inaugura a exposição "Amazonizando e Negreando Artes de Colonizadores" durante a COP30
Parceria entre a Fundação Rosa Luxemburgo e o CEDENPA, a mostra ocupa a varanda do Prédio Mirante do Rio e reinterpreta clássicos europeus sob o olhar amazônico e negro, unindo arte, poesia e descolonização do imaginário.
Durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), a Fundação Rosa Luxemburgo, em parceria com o Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (CEDENPA), inauguraram nesta quarta-feira, 12, a exposição “Amazonizando e Negreando Artes de Colonizadores”. A mostra foi instalada na varanda do Prédio Mirante do Rio — 1º andar, ao lado da Sala Rosa (108/UFPA) e ficará aberta à visitação até o dia 16 de novembro.
A exposição convida o público a imaginar como seriam as obras de grandes mestres da pintura europeia — como Van Gogh, Da Vinci, Botticelli, Dali, Rafael e Goya — se tivessem retratado a Amazônia, a negritude e os povos originários. Por meio de releituras que combinam colagem, poesia e técnicas de arte digital, o projeto propõe uma descolonização do imaginário, inserindo nas telas símbolos da resistência cultural, da biodiversidade e da espiritualidade afro-indígena.
“Esta mostra é um manifesto visual e poético que inverte o olhar colonial, recontando a história da arte a partir das margens. A Amazônia, seus corpos e culturas passam de objeto exótico a sujeito criador”, afirma Nilma Bentes, artista e militante histórica do movimento negro na Amazônia.
Assinada coletivamente por Nilma Bentes, Tatiana Sá e Felipe Ribeiro, a série transforma a tradição pictórica europeia em um território de reinvenção estética e política. Cada obra traz versos e elementos que celebram a vida amazônica — da culinária aos rituais, da fauna e flora à força das comunidades negras e indígenas — revelando um diálogo entre arte, ancestralidade e justiça social.
“Dar visibilidade a expressões artísticas que afirmam outras cosmologias é fundamental para ampliar o debate sobre justiça climática e cultural. A arte é também território político”, destaca Andreas Behn, diretor da Fundação Rosa Luxemburgo no Brasil e Paraguai.
Integrando a programação da Sala Rosa durante a COP30, a mostra reforça o compromisso da Fundação em promover diálogo entre arte, política e território, valorizando iniciativas que traduzem as múltiplas resistências da Amazônia frente às desigualdades e às falsas soluções climáticas.
Serviço
Exposição: Amazonizando e Negreando Artes de Colonizadores
Período de visitação: 12 a 16 de novembro de 2025
Local: Varanda do Prédio Mirante do Rio — 1º andar, ao lado da Sala Rosa (108), UFPA, Belém (PA)
Entrada Gratuita
Redação: Katarine Flor
Foto: Tereza Maciel e Aryanne Almeida