Do Guamá para o mundo: Xavier Bartira estreia com “Epílogo: Jabuti-Tinga”, uma escrita que corta o silêncio

Enquanto Belém se prepara para a COP 30 e volta ao centro das discussões globais, o Guamá, bairro mais populoso da capital e território de contradições históricas, se afirma como lugar de invenção, palavra e resistência.

 

O escritor e artista Xavier Bartira, pessoa queer nascida e criada no Guamá e estudante de Língua Portuguesa pela Universidade do Estado do Pará, lança a pré-venda de seu livro de estreia, Epílogo: Jabuti-Tinga, publicado pela Mercador Editorial (Portugal) e pela Editora Caravana (Brasil).

 

Com uma escrita experimental, sem vírgulas e guiada por fluxo de pensamento, Bartira constrói uma narrativa que tensiona o cânone literário ao perguntar o que, afinal, pode ser literatura. Narrado por um personagem morador do Guamá, o texto atravessa corpo, território e memória, transformando o cotidiano em fricção e poesia.

 

Entre o erótico e o escatológico, a obra expõe o que a linguagem tenta esconder: o corpo como território político, o desejo como resistência e o abjeto como matéria de criação. Mais do que representar um lugar, Bartira elabora uma linguagem própria, que mistura o íntimo e o coletivo, o humano e o ecológico, o sagrado e o grotesco.

 

O livro percorre afetos, conflitos familiares, racismo, racismo ambiental e questões de gênero, revelando o desconforto social e espiritual causado pelo descaso político.

 

“Por muito tempo hesitei em usar esse termo [autor] para me descrever. Nunca quis ser totalmente gráfico ou imagético; se às vezes pareceu, não foi intenção — sempre tive pavor de horror corporal e da violência contra os corpos. Ainda assim, dei atenção às agressões ao meu redor e à omissão diante da minha própria dor. Em Epílogo: Jabuti-Tinga, a mãe está presente, mas não totalmente; o pai está presente, mas está morto; o bairro se fala muito, mas nem sempre se sente. E eu, autor, transformei em novelo o que vi e o que imaginei a partir das dores da Dd (mãe), da Lorena (irmã), da Tia Denice, do Gago (pai), das minhas próprias dores e das histórias de vizinhos ou estranhos. Este livro nasce das vivências na periferia de Belém, no Guamá — fruto de um olhar que mistura realidade e delírio, lembrança e criação, para transformar o que nos fere em linguagem.”, declarou Xavier Bartira.


Epílogo: Jabuti-Tinga é uma estreia que faz da escrita um gesto radical de existência, um grito que nasce do Guamá, mas ecoa para o mundo.

 

Para adquirir o livro em pré-lançamento, acesse:

Epílogo: Jabuti-tinga

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