{"id":2563,"date":"2026-03-27T15:20:19","date_gmt":"2026-03-27T18:20:19","guid":{"rendered":"https:\/\/nacuia.org\/?p=2563"},"modified":"2026-03-27T15:43:48","modified_gmt":"2026-03-27T18:43:48","slug":"ver-o-peso-chega-aos-399-anos-como-simbolo-da-cultura-e-economia-amazonica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nacuia.org\/en\/ver-o-peso-chega-aos-399-anos-como-simbolo-da-cultura-e-economia-amazonica\/","title":{"rendered":"Ver-o-Peso chega aos 399 anos como s\u00edmbolo da cultura e economia amaz\u00f4nica"},"content":{"rendered":"<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"2563\" class=\"elementor elementor-2563\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7aa5524 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"7aa5524\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-c9b1143 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"c9b1143\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-f51ddb6 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"f51ddb6\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>O Mercado do Ver-o-Peso chega aos 399 anos reconhecido como um dos maiores s\u00edmbolos da cultura, da economia e da identidade amaz\u00f4nica. Localizado \u00e0s margens da Ba\u00eda do Rio Guajar\u00e1, a \u00e1rea re\u00fane diariamente milhares de trabalhadores e visitantes, mantendo viva uma tradi\u00e7\u00e3o que atravessa gera\u00e7\u00f5es.<\/p><p>\u00a0<\/p><p>Fundado em 1627, ainda no per\u00edodo colonial, o espa\u00e7o surgiu como um ponto de fiscaliza\u00e7\u00e3o de mercadorias. Segundo a historiadora Alyne Virino Ricarte, da Wyden, o mercado nasceu quando o governo portugu\u00eas instalou uma balan\u00e7a p\u00fablica para controlar a entrada e sa\u00edda de produtos e garantir a cobran\u00e7a de impostos. Com o tempo, o local deixou de ser apenas um posto administrativo e passou a concentrar trocas comerciais e culturais. \u201cRibeirinhos, ind\u00edgenas, negros e portugueses n\u00e3o s\u00f3 comercializavam produtos, mas tamb\u00e9m compartilhavam saberes culturais. Esse encontro fez do Ver-o-Peso o cora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico e cultural da cidade\u201d, explica.<\/p><p>\u00a0<\/p><p>Ao longo dos s\u00e9culos, o mercado acompanhou as transforma\u00e7\u00f5es urbanas e sociais de Bel\u00e9m sem perder sua ess\u00eancia. Ainda de acordo com a docente, o espa\u00e7o se adaptou ao crescimento da cidade, ampliando suas atividades e incorporando novos produtos, mas mantendo sua centralidade no cotidiano da popula\u00e7\u00e3o. \u201cEle sobreviveu a reformas urbanas, \u00e0 chegada de supermercados e at\u00e9 \u00e0 especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, porque continua sendo o lugar onde os paraenses encontram produtos frescos e saberes tradicionais\u201d, destaca.<\/p><p>\u00a0<\/p><p>Hoje, o Ver-o-Peso \u00e9 formado por diferentes \u00e1reas interligadas, como a Feira do A\u00e7a\u00ed, a Pedra do Peixe, o Mercado de Ferro (Mercado de Peixe), o Mercado de Carne e o Solar da Beira. Juntos, esses espa\u00e7os concentram uma grande diversidade de produtos t\u00edpicos da Amaz\u00f4nia, como peixes, frutas, ervas medicinais, especiarias e artesanato.<\/p><p>\u00a0<\/p><p>Mesmo com as mudan\u00e7as, elementos tradicionais permanecem vivos no cotidiano do mercado. O cheiro das ervas, o colorido dos peixes, o movimento intenso das negocia\u00e7\u00f5es e a presen\u00e7a marcante das mulheres vendedoras seguem como caracter\u00edsticas do local. Barcos vindos do interior continuam chegando diariamente com produtos como a\u00e7a\u00ed, camar\u00e3o e tucupi, refor\u00e7ando a conex\u00e3o entre a capital e as comunidades ribeirinhas.<\/p><p>\u00a0<\/p><p>Para a historiadora, o Ver-o-Peso \u00e9 tamb\u00e9m uma express\u00e3o direta da identidade amaz\u00f4nica, especialmente por meio da alimenta\u00e7\u00e3o e dos saberes populares. \u201cA alimenta\u00e7\u00e3o aqui \u00e9 cultura, mem\u00f3ria e resist\u00eancia. Ingredientes como jambu, tucupi e peixe amaz\u00f4nico carregam saberes ind\u00edgenas, ribeirinhos e afro-brasileiros. O mercado \u00e9 um espa\u00e7o vivo de transmiss\u00e3o desses conhecimentos\u201d, afirma.<\/p><p>\u00a0<\/p><p>A for\u00e7a econ\u00f4mica do complexo tamb\u00e9m \u00e9 significativa. Cerca de 2.400 trabalhadores atuam diariamente no local, garantindo o abastecimento da cidade e movimentando cadeias produtivas regionais. Mais do que um ponto de com\u00e9rcio, o espa\u00e7o representa sustento, pertencimento e continuidade cultural para milhares de fam\u00edlias.<\/p><p>\u00a0<\/p><p>Tombado pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional desde 1977, o Ver-o-Peso tamb\u00e9m enfrenta desafios para preservar sua ess\u00eancia diante das transforma\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas. Entre eles, est\u00e3o a necessidade de melhorias na infraestrutura, a press\u00e3o do turismo e o risco de descaracteriza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. \u201cO grande desafio \u00e9 equilibrar o progresso com a prote\u00e7\u00e3o da cultura local, garantindo que o Ver-o-Peso continue sendo um mercado do povo paraense, e n\u00e3o apenas uma vitrine para visitantes\u201d, pontua Alyne.<\/p><p>\u00a0<\/p><p>\u00c0s v\u00e9speras dos 400 anos, o complexo passa por um processo de revitaliza\u00e7\u00e3o que busca modernizar a estrutura sem abrir m\u00e3o de suas caracter\u00edsticas hist\u00f3ricas. Ao completar 399 anos, o Ver-o-Peso reafirma seu papel como um espa\u00e7o onde cultura, economia e tradi\u00e7\u00e3o caminham juntas \u2014 um retrato vivo da Amaz\u00f4nia, pulsante e em constante transforma\u00e7\u00e3o.<\/p><p>\u00a0<\/p><h6>Reda\u00e7\u00e3o:<\/h6><p>Rafael Fonseca<\/p><p>\u00a0<\/p><h6>Foto de capa:\u00a0<\/h6><p>Osvaldo Forte\/ Ag\u00eancia Bel\u00e9m<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Mercado do Ver-o-Peso chega aos 399 anos reconhecido como um dos maiores s\u00edmbolos da cultura, da economia e da identidade amaz\u00f4nica. 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