NOSSAS passa a se chamar BONDE e amplia atuação com plataforma de formação em ativismo

Organização que já mobilizou mais de 5 milhões de pessoas e contribuiu para mais de 190 mudanças em políticas públicas lança, em 8 de julho, plataforma de cursos com aula inaugural de Ailton Krenak

Depois de 15 anos de atuação no fortalecimento da democracia, da justiça social e da igualdade, a organização sem fins lucrativos NOSSAS passa a se chamar BONDE. A mudança de nome acompanha uma ampliação da estratégia da organização, que, além de seguir impulsionando campanhas de mobilização social e oferecendo infraestrutura digital para ações de pressão sobre governantes, passa a investir também na formação contínua de ativistas e de pessoas interessadas na cidadania.

 

O lançamento oficial acontece no dia 8 de julho, às 20h, em um evento online e gratuito que marcará a estreia da plataforma de formação política e ação coletiva que reúne grandes nomes de ativistas e pensadores. O evento será apresentado por Talita Novacoski e Roberto Andrés, codiretores-executivos do BONDE. A transmissão incluirá a exibição da primeira aula de “Encarar o fim de mundos com coragem e rebeldia”, primeiro curso do líder indígena, filósofo e membro da Academia Brasileira de Letras, Ailton Krenak. Inscreva-se.

 

Criado no Rio de Janeiro e hoje com atuação em todo o território nacional, o NOSSAS se consolidou como uma das principais organizações brasileiras de mobilização social. Ao longo de sua trajetória, reuniu mais de 5 milhões de pessoas em campanhas que contribuíram para mais de 190 mudanças em políticas públicas.

 

Entre as iniciativas de maior repercussão estão Amazônia de Pé, pela proteção da floresta e dos povos amazônicos; Fim da Escala 6×1, em parceria com o movimento VAT, por mais dignidade no âmbito do trabalho; Sem Anistia para Golpista, para impedir anistia aos envolvidos nos ataques contra a democracia brasileira; Ministra Negra no STF, pela defesa de um Supremo Tribunal Federal mais diverso; a Renda Básica que Queremos pela implementação do auxílio emergencial; PL da Devastação, contra retrocessos ambientais na legislação; Taxa os Bi, pela taxação dos bilionários para financiamento de ações climáticas com redução das desigualdades; Criança não é mãe, pela proteção das crianças e adolescentes contra a gravidez forçada; RJ não é Disney, por ações de adaptação climática no estado do Rio de Janeiro; Cadê meu absorvente?, pela aprovação de políticas de combate à pobreza menstrual; o Tira o Pé da Minha Serra, em defesa da Serra do Curral, em Belo Horizonte, que está em constante ameaça de mineração; e o Passe Livre pela Democracia, que conquistou a gratuidade do transporte nas eleições de 2022.

 

A mudança para BONDE reflete uma nova etapa da organização. Inspirado no significado popular da palavra — bonde, grupo de pessoas (ou “galera”) que anda junto —, o novo nome reforça a ideia de que grandes transformações acontecem coletivamente, conforme diz o manifesto:

 

“Você abre o olho pela manhã com uma notificação.

A ansiedade bate, o mundo tá pegando fogo. Outro caso de feminicídio no jornal. O preço do café, lá no alto, a conta que não fecha. Mais um dia de trabalho, menos um dia de descanso. E o trânsito da cidade te engole, enquanto os bilionários brincam de foguete.

O colapso não é acidente, é projeto. E a mudança também precisa ser. Porque a indignação sem organização vira desgaste. E o nosso cansaço só favorece quem está no poder.

Mas a gente pode virar esse jogo.

Há 15 anos, o NOSSAS transforma indignação em mudança real, do jeito brasileiro.

Mas o mundo mudou. E a gente decidiu mudar também. Por isso, o NOSSAS agora é o BONDE. Porque o futuro só vai ser diferente se a gente aprende a agir juntos. Quando a gente se organiza, as coisas mudam.

O peso do mundo. Grande demais pra uma pessoa só. Mas é do tamanho exato da nossa força, quando a gente vai de bonde.”

 

Assista ao manifesto do BONDE no YouTube

 

“O NOSSAS nasceu para mostrar que pessoas organizadas conseguem mudar políticas públicas e transformar a realidade. Quinze anos depois, percebemos que os desafios também mudaram. O BONDE representa esse novo momento: além de mobilizar as pessoas para agir, queremos fortalecer uma comunidade que troca conhecimento, aprende e age coletivamente”, afirma Talita Novacoski.

 

Segundo ela, a proposta é oferecer à população acesso direto a pessoas que já estão construindo mudanças concretas em diferentes áreas. “A plataforma nasce para aproximar quem quer agir de quem já está fazendo. Aprender com experiências reais é uma forma de ampliar o impacto coletivo e fortalecer o ativismo no Brasil”, diz.

 

Por isso, Ailton Krenak foi escolhido para o curso inaugural da plataforma. Nascido em 1953, no Vale do Rio Doce, território do povo Krenak, ele é um dos principais líderes indígenas do país e uma das vozes mais influentes na defesa dos direitos dos povos originários e da preservação ambiental. Sua atuação foi decisiva para a conquista do capítulo dos direitos indígenas na Constituição de 1988 e, em 2023, tornou-se o primeiro indígena a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.

 

No curso “Encarar o fim de mundos com coragem e rebeldia”, Krenak propõe uma reflexão sobre os desafios contemporâneos e a necessidade de imaginar outros caminhos para o futuro. “Por que os seres humanos acham que podem comer a Terra?”, questiona Ailton Krenak. “Na minha juventude, eu despertei cedo para a necessidade de imaginar outros mundos porque o meu mundo estava sendo predado. Como você sonha o mundo? Assim você incide no mundo”, defende o líder indígena.

 

Para Roberto Andrés, a formação amplia as possibilidades de participação social na solução dos problemas que o mundo enfrenta. “O BONDE acredita na mobilização como ferramenta de transformação, mas entendemos que fortalecer as pessoas também passa por compartilhar conhecimento. Queremos conectar experiências, repertórios e estratégias para que mais gente possa atuar em suas comunidades e enfrentar desafios como desigualdade, crise climática e direito à cidade”, reforça.

 

Talita Novacoski e Roberto Andrés, diretores executivos do BONDE. Foto: Divulgação

 

Sobre o BONDE 

O BONDE (antigo NOSSAS) é uma plataforma brasileira que conecta pessoas para aprender, agir coletivamente, construir mudanças em políticas públicas e produzir alívio concreto nas vidas de milhões de pessoas. Nascido no Rio de Janeiro e hoje presente em todo o território nacional, há 15 anos o BONDE desenvolve estratégias e projetos de mobilização social para pautar a opinião pública e incidir sobre governos e tomadores de decisão, formando redes de ativismo por diversas causas. Entre as iniciativas de maior repercussão estão Amazônia de Pé, Fim da Escala 6×1, Sem Anistia para Golpista, Ministra Negra no STF, Busão 0800, PL da Devastação, Taxa os Bilionários, Criança Não é Mãe, RJ Não é Disney, Cadê Meu Absorvente? e Tira o Pé da Minha Serra. Já reuniu mais de 5 milhões de pessoas em campanhas que contribuíram para mais de 190 mudanças em políticas públicas e, em 2026, lança um serviço por assinatura que reúne cursos exclusivos sobre ativismo e desenvolvimento do pensamento crítico. Saiba mais em bonde.org.

 

Sobre Ailton Krenak 

Ailton Krenak nasceu em 1953, na região do vale do rio Doce, território do povo Krenak, um lugar cuja ecologia se encontra profundamente afetada pela atividade de extração de minérios. Ativista do movimento socioambiental e de defesa dos direitos indígenas, organizou a Aliança dos Povos da Floresta, que reúne comunidades ribeirinhas e indígenas na Amazônia. É um dos mais destacados líderes do movimento que surgiu durante o grande despertar dos povos indígenas no Brasil, que ocorreu a partir da década de 1970. Contribuiu também para a criação da União das Nações Indígenas (UNI). Ailton tem um vasto trabalho educativo e ambientalista como jornalista e através de programas de vídeo e televisivos. A sua luta nas décadas de 1970 e 1980 foi determinante para a conquista do “Capítulo dos índios” na Constituição de 1988, que passou a garantir, pelo menos no papel, os direitos indígenas à cultura autóctone e à terra. É coautor da proposta da Unesco que criou a Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço em 2005 e é membro de seu comitê gestor. É comendador da Ordem do Mérito Cultural da Presidência da República, em 2016 foi-lhe atribuído o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais, e, em 2023, tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), ocupando a cadeira de nº 5. Krenak é autor de Ideias para adiar o fim do mundo (2019), O amanhã não está à venda (2020), A Vida Não É Útil (2020), Futuro Ancestral (2022) e coautor de outras obras.

 

Sobre Talita Novacoski

É diretora-executiva do BONDE (antigo NOSSAS), pesquisadora em tecnopolítica e mestranda na UFRJ. Há mais de uma década, atua na intersecção entre tecnologia e direitos humanos no Brasil, incluindo iniciativas como Mapa do Acolhimento, Amazônia de Pé, Observatório das Florestas Públicas, Eleição do Ano, Vote pelo Clima e Defesa Climática Popular.

 

Sobre Roberto Andrés

É diretor-executivo do BONDE, urbanista, pesquisador e ativista na área de cidades, política e clima. Tem doutorado pela USP, é professor da UFMG e foi um dos fundadores da revista Piseagrama. Atuou em movimentos como Tarifa Zero BH, Muitas e Ocupa Política. É colaborador da revista Piauí e autor de A Razão dos Centavos (Zahar, 2023), livro finalista do prêmio Jabuti. Atualmente é codiretor-executivo do BONDE.

 

Serviço

Lançamento da plataforma BONDE

Com exibição de aula inaugural de Ailton Krenak

Data: 8 de julho (quarta-feira).

Horário: 20h

Online e gratuito

Inscrições: https://lp.bonde.org/aula-aberta-ailton-krenak 

 

Redação:

Divulgação

 

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