Marajó Unido pelo Clima: gestores públicos firmam compromisso
Evento que acontece em Soure, marca o lançamento da campanha “Marajó unido pelo clima” e reunirá prefeitos e secretários do arquipélago para avançar na governança climática local.
No dia 29 de maio, gestores de Soure, Salvaterra e Cachoeira do Arari, na Ilha do Marajó, do governo do estado do Pará e do Governo Federal se reúnem em Soure (PA) para debater e fomentar estratégias de enfrentamento às mudanças climáticas. O encontro “Gestores pelo Clima” marca o lançamento oficial da campanha “Marajó unido pelo clima”, e inicia às 9h, no Auditório Auditório Carlos Augusto Nunes Gouveia, em Soure. No dia anterior ao encontro acontecerá sessão de trabalho dos Comitês Municipais de Ação Climática, dos três municípios, em Soure, para a finalização do processo de proposição de mecanismos institucionais de governança climática municipal.
O evento é uma realização da Fundação Avina, do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) e das prefeituras municipais de Soure, Salvaterra e Cachoeira do Arari. Contará com a participação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Fórum Permanente Estadual de Secretários Municipais de Meio Ambiente – FOPESMMA, da Secretária Adjunta de Gestão de Águas e Clima do Pará, e da Agência de Cooperação Alemã (GIZ). O objetivo é fortalecer as capacidades político-institucionais dos municípios de Soure, Salvaterra e Cachoeira do Arari para a implementação de uma governança climática local estruturada e alinhada com a sustentabilidade dos sistemas agroflorestais. E, além disso, lançar oficialmente a campanha “Marajó unido pelo clima”.
O encontro funcionará como um dispositivo de ativação da governança climática local, com base em processos que vem sendo construído previamente, através de ações do Projeto Marajó Resiliente: saindo do diagnóstico para a ação. O arquipélago é uma das regiões insulares mais vulneráveis às mudanças climáticas, com populações que dependem diretamente da floresta, dos rios e da produção agroecológica. Eventos extremos, cheias e secas intensas, já afetam a produção de alimentos, a mobilidade e a saúde das comunidades locais.
A iniciativa é fruto de meses de trabalho interinstitucional conduzido pelo Projeto Marajó Resiliente, que reúne diversos setores em torno da importância de debater o clima na Ilha do Marajó. “A campanha nasce com o objetivo de mobilizar gestores públicos e comunidades do Marajó para uma resposta mais assertiva e integrada aos impactos das mudanças climáticas, a partir dos municípios de Cachoeira do Arari, Salvaterra e Soure. Buscamos dar visibilidade aos compromissos já assumidos pelos gestores e fortalecer sua atuação e o papel essencial que desempenham na agenda climática”, afirma Lanna Peixoto, coordenadora técnica do Projeto Marajó Resiliente pela Fundación Avina.

A programação contará com uma Mesa de Abertura reunindo os prefeitos Paulo Victor (Soure), Valentim Lucas de Oliveira (Salvaterra) e Jaime da Silva Barbosa (Cachoeira do Arari), ao lado de representantes dos governos estadual e federal. Um dos pontos de destaque do encontro será a Plenária Final de Pactuação. Ao longo do evento, os participantes também irão discutir caminhos para a ativação de uma rede intermunicipal de governança climática.
“O processo de preparação deste encontro se deu via construção participativa, visando criar espaço intersetorial por ações climáticas, no âmbito das prefeituras dos três municípios, do Marajó Oriental, institucionalizando mecanismos para liderar as ações climáticas nos municípios”, pontua Marcelo Alves, analista socioambiental IEB/Coordenador da ação no Marajó Resiliente.
A campanha também buscará viabilizar soluções concretas que já existem no território, como os Sistemas Agroflorestais liderados por mulheres, populações tradicionais e quilombolas, que demonstram na prática como a adaptação climática pode gerar benefícios sociais, econômicos e ambientais. A iniciativa tem como objetivo tornar essa agenda mais acessível, traduzindo conceitos técnicos e reforçando que adaptação climática não é um tema distante, mas algo diretamente conectado ao futuro do território além para as discussões do evento.
“A importância deste evento é nos apoiar a instituir a governança climática local de forma articulada. Voz uníssona dos três municípios em defesa de seus Territórios fragilizados pela erosão costeira, inundações severas, potabilidade da água, desflorestamentos e desigualdades, visando soluções que amparem a Resiliência climática no Arquipélago do Marajó.”, finaliza Nazaré Amador, Secretária Municipal de Meio Ambiente de Cachoeira do Arari – PA.
Serviço
Encontro Gestores pelo Clima – Lançamento: “Marajó Unido pelo Clima”.
QUANDO:
- 28 de maio — 9h às 17h
- 29 de maio — 8h30 às 12h
ONDE:
- 28/05 — Instituto Caruanas, Soure (PA)
- 29/05 — Auditório Carlos Augusto Nunes Gouveia, Rodovia do Pesqueiro, Soure (PA)
Mais informações em: Instagram @marajoresiliente e marajoresiliente.org
Sobre o projeto Marajó Resiliente
O Projeto Marajó Resiliente é uma iniciativa dedicada a fortalecer a resiliência climática de agricultoras, agricultores familiares e comunidades tradicionais do arquipélago do Marajó, no Pará. Atuando nos municípios de Cachoeira do Arari, Salvaterra e Soure, o projeto busca fortalecer estratégias de adaptação climática a partir do território, aliando saberes locais, práticas agroecológicas e assistência técnica especializada.

A iniciativa é realizada pela Fundación Avina, em colaboração com o Instituto Belterra e o Instituto CONEXSUS, com a implementação do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), da World-Transforming Technologies, da Apó Socioambiental e da Angola Comunicação, nos processos de comunicação, e é financiado pelo Fundo Verde do Clima (Green Climate Fund – GCF) e Climate and Land Use Alliance (CLUA).
Sua base está na adaptação climática, implantação de sistemas agroflorestais, acesso a crédito rural, diversificação de renda, e fortalecimento da governança climática local. Ao longo de cinco anos, o projeto foi elaborado de forma participativa, envolvendo comunidades quilombolas, organizações locais e instâncias públicas. E sua execução prevê cinco anos de atuação em Cachoeira do Arari, Salvaterra e Soure, no arquipélago do Marajó.
Texto:
Paulie Amaral, Na Cuia.
Foto de capa:
Divulgação.