Encontro na UFPA reúne mulheres defensoras da Amazônia por justiça socioambiental e direitos humanos
Do território à COP30: mulheres articulam suas vozes em “Puxirum”
No dia 10 de novembro, das 13h às 19h, o Auditório do ICSA – UFPA (Campus Guamá) será palco do Puxirum de Mulheres Defensoras da Amazônia, um grande encontro que convida toda a sociedade a se unir em torno de debates, partilhas e um cortejo simbólico. A palavra puxirum, de origem amazônica, significa mutirão, uma reunião coletiva para somar forças em prol de um objetivo comum: a luta em defesa dos direitos humanos e do meio ambiente.
O evento é um chamado para que mulheres defensoras de direitos humanos e socioambientais, lideranças comunitárias, pesquisadoras, estudantes, religiosas, coletivos e organizações se unam em um grande mutirão de saberes, escutas e trocas.

Na tradição amazônica, puxirum é o mutirão coletivo em que a comunidade se reúne para trabalhar junta em prol de um propósito comum. Inspiradas por essa prática ancestral, o encontro propõe um espaço de fala e escuta coletiva, onde as experiências e resistências das mulheres em defesa da Amazônia e de seus povos serão compartilhadas em forma de mutirão, fortalecendo redes de proteção, solidariedade e cuidado.
Durante a programação, haverá rodas de conversa, plenária coletiva e um cortejo simbólico, reafirmando o protagonismo das mulheres na construção de caminhos para uma Amazônia justa, diversa, sustentável e ecofeminista.
Programação:
- 13h – Chegança e Acolhida
- 14h – Mística de Abertura
- 14h15 – Apresentação do evento e das organizações responsáveis
- 14h30 – Contextualização do encontro
- 14h45 às 16h50 – Puxirum das Mulheres Defensoras de Direitos Humanos e Socioambientais
- 17h – Cortejo do Puxirum (saída do Auditório do ICSA – UFPA)
A programação contará com a presença de Leudiane Ferreira, Ângela de Jesus, Claudelice Santos, Vivi Reis, Antonia Cariongo, Conceição Dias dos Santos, Polly Soares, Irmã Jane e Irmã Kátia e Mametu Nangetu e Auricélia Arapiun.
As questões ambientais e climáticas afetam de forma direta, e muitas vezes desigual, a vida das mulheres. Na Amazônia, elas têm assumido um papel central na defesa dos direitos humanos e ambientais, ocupando posições de liderança em movimentos comunitários, religiosos e populares. Exemplos marcantes desse protagonismo são Dorothy Stang, religiosa e defensora da floresta, assassinada em 2005, aos 73 anos, por um consórcio de fazendeiros no sudoeste do Pará; e Dilma Ferreira Silva, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que lutava contra os impactos da Usina Hidrelétrica de Tucuruí e foi assassinada em 2019, também a mando de fazendeiros (CPT, 2022). Mulheres como Dorothy e Dilma enfrentaram o grande capital em defesa de seus territórios e inspiram tantas outras que, hoje, seguem se organizando e resistindo pela vida na Amazônia.
“Essas trajetórias evidenciam que as mulheres cumprem papel fundamental na organização, mobilização e defesa dos territórios amazônicos, não apenas como vítimas de um sistema desigual, mas como protagonistas da transformação socioambiental.” aponta a militante Alcidema Diriá que também está na organização do encontro. Entretanto, os desafios permanecem enormes. As defensoras da Amazônia enfrentam a ausência de políticas públicas básicas, como saneamento, educação e saúde, somada à intensificação da violência contra as mulheres e seus territórios por parte de grandes empreendimentos que lucram com a exploração da natureza.
De acordo com o Relatório do Instituto Igarapé (2023, p.4), entre 2012 e 2022 ocorreram 765 ataques a mulheres na Amazônia Legal em conflitos no campo, a maioria sob a forma de ameaças de morte; 36 mulheres foram assassinadas nesse período. A ausência do Estado, a violência e a impunidade colocam essas defensoras sob fogo cruzado, revelando a urgência de fortalecer redes de proteção, solidariedade e cuidado.
O evento é realizado pelas iniciativas: Sefras (Ação Social Franciscana), Instituto Universidade Popular (UNIPOP), Casa Amazônia, Comitê Dorothy Stang, Rede Liberdade, Grupo de Trabalho Geografia e Gênero na Amazônia do PPGEO (Programa de Pós-graduação em Geografia) da UFPA e Cojovem.
SERVIÇO
Data: 10 de novembro de 2025
Horário: 13h às 19h
Local: Auditório do ICSA – Setor Profissional, UFPA Campus Guamá
Inscrições: Via Formulário Google.
Redação: Tainá Barral, Ascom Unipop.